O Núcleo de Estudos de Gênero Pagu manifesta profundo pesar pelo falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles, ocorrido em 15 de setembro de 2026, aos 81 anos.
Amelinha deixa uma trajetória indissociável da história dos feminismos e da resistência democrática no Brasil. Foi presa e brutalmente torturada durante a ditadura civil-militar, fato que afetou a ela e a toda sua família.
A dor não a silenciou nem a definiu. Ao contrário: Amelinha transformou a experiência da repressão em compromisso permanente com a memória, a verdade e com a justiça social. Integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, atuou na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo e teve papel decisivo na ação judicial que reconheceu Carlos Alberto Brilhante Ustra como torturador — primeira condenação de um agente do Estado brasileiro por crimes da ditadura .
No campo dos estudos de gênero e das lutas feministas, sua contribuição é absolutamente fundamental. Participou do jornal Brasil Mulher, fundou a União de Mulheres de São Paulo, atuou no Lobby do Batom pela inclusão dos direitos das mulheres na Constituição de 1988 e idealizou as Promotoras Legais Populares, levando mulheres muito diversas a ocupar o espaço da Câmara legislativa da capital paulista. A iniciativa de formação política para mulheres se expandiu por todo o país, tendo como base a produção de espaços de partilha. Amelinha é autora de obras fundamentais como “Breve História do Feminismo no Brasil” e “O que é violência contra a mulher”, além de “Contos da Cela Três”, que reúne memórias de sua prisão .
Amelinha segue presente em tudo o que constituiu. Seu legado permanece nas batalhas que ajudou a construir, nas mulheres que inspirou e nos compromissos que nos deixa.
Ao seus filhos, familiares, companheiras e companheiros de caminhada, expressamos nossa solidariedade e gratidão.
Amelinha Teles, presente!
